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AS FIGURAS DE PEDRA ESCULPIDAS

Monólitos de Tiwanaku: Ponce, Bennett e El Fraile

Três gigantes de pedra esculpidos dominam as ruínas e os museus de Tiwanaku — o que cada um representa, como foi encontrado e o que os seus símbolos podem ter significado para os seus escultores.

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Lendo um monólito de Tiwanaku

Os escultores de Tiwanaku talharam um pequeno número de grandes figuras de pedra em pé, cada uma coberta da cabeça aos pés com símbolos em baixo-relevo — bastões emparelhados, felinos, condores, serpentes e bandas geométricas repetidas — em vez de tentarem um retrato naturalista de qualquer indivíduo. A maioria dos investigadores lê estas figuras como governantes, sacerdotes ou seres ancestrais apresentados em trajes cerimoniais formais, e não como semelhanças literais de pessoas reais, com as suas superfícies esculpidas a funcionar quase como uma forma de texto, codificando estatuto, cargo e autoridade religiosa numa linguagem visual partilhada, em vez de registarem os traços ou a história de vida de uma pessoa em particular.

O Monólito de Ponce

No interior do Kalasasaya, o Monólito Ponce tem cerca de três metros de altura e é geralmente considerado a escultura monumental mais bem preservada de Tiwanaku, com arestas e traços faciais ainda nítidos apesar de mais de mil anos exposto ao ar livre. A sua superfície carrega uma versão densa e praticamente completa do vocabulário simbólico de Tiwanaku — dois bastões cruzados sobre o peito, um cinto largo decorado e faixas de pequenas figuras esculpidas ao longo de todo o corpo — o que o torna um dos referenciais mais claros que os arqueólogos utilizam para compreender exatamente como a civilização representava em pedra a hierarquia, o cargo e a autoridade religiosa.

O Monólito Bennett

A maior das figuras esculpidas de Tiwanaku, com mais de sete metros de altura e um peso estimado em cerca de 20 toneladas, foi exumada em 1932 pelo arqueólogo americano Wendell Bennett, de quem hoje recebe o nome, no interior do templo semissubterrâneo onde permanecera durante séculos. Passou depois várias décadas em exposição pública numa praça de La Paz, antes de ser finalmente devolvida a Tiwanaku, e encontra-se agora no Museo Lítico do sítio arqueológico, onde a sua verdadeira escala e a profundidade do relevo baixo são muito mais fáceis de apreciar de perto, dentro de portas, do que jamais foram ao ar livre.

El Fraile, o "frade

Um terceiro monolito, mais pequeno, apresenta símbolos semelhantes aos do Monólito de Ponce, mas está visivelmente mais erodido e com acabamento menos refinado, esculpido num bloco de pedra que revela dois tons distintos a atravessá-lo. Os colonizadores espanhóis apelidaram-no de El Fraile — "o frade" — porque interpretaram um dos objetos esculpidos que segura como um cálice e o outro como um ceptro, vendo nele uma vaga semelhança com um clérigo cristão a segurar objetos rituais. O nome permaneceu desde então, embora não tenha absolutamente nada a ver com o que a escultura representava originalmente para o povo que a criou.

Porque é que os monólitos eram importantes

Posicionados deliberadamente no interior de Kalasasaya e do templo semissubterrâneo, os monólitos provavelmente ocupavam o centro das cerimónias públicas de Tiwanaku — pontos focais para oferendas rituais, reuniões formais ou veneração de antepassados, e não simples decoração dispersa pelo sítio. A sua disposição, voltados para direções específicas dentro destes espaços formais cuidadosamente delimitados, sugere que os visitantes deveriam aproximar-se e observá-los numa ordem intencional, seguindo um percurso definido pelo recinto sagrado em vez de vaguear livremente — um guia no local pode explicar-lhe qual seria essa sequência prevista.

Onde vê-los agora

O Monólito Bennett e várias outras peças finamente esculpidas encontram-se agora protegidos no interior do Museo Lítico de Tiwanaku, ao abrigo das intempéries que já erodiram grande parte dos delicados detalhes superficiais noutros pontos do sítio arqueológico a céu aberto. O Monólito Ponce e El Fraile, pelo contrário, permanecem nos seus locais originais ao ar livre, dentro do próprio Kalasasaya, expostos ao mesmo sol e à mesma geada que moldaram o resto das ruínas. Uma visita completa implica, portanto, ver tanto as peças cuidadosamente resguardadas no museu como os originais desgastados pelo tempo, ainda de pé mais ou menos exatamente onde foram erguidos há mais de mil anos.

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