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O PORTÃO ICÓNICO

O Portal do Sol: A Porta Esculpida de Tiwanaku Explicada

Um único bloco de andesito esculpido, uma enigmática figura de bastão e um friso que alguns acreditam codificar um calendário — a história por trás do monumento mais famoso de Tiwanaku.

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Uma porta esculpida numa única pedra

A Puerta del Sol (Porta do Sol) é esculpida num único bloco de andesito com várias toneladas, atravessado por uma porta retangular ao centro. Provavelmente não se erguia originalmente onde está hoje — muitos investigadores acreditam que pertenceu a outra estrutura, possivelmente em Puma Punku, antes de ser transladada para o local atual. Viajantes do século XIX descreveram-na partida em dois pedaços no chão; foi remontada e reerguida perto de Kalasasaya no início do século XX, e ali permanece, de pé, desde então.

A figura no lintel

No topo do portão corre um friso esculpido centrado numa figura imponente que segura um cajado em cada mão — vulgarmente chamada o Deus dos Cajados. Raios ou apêndices irradiam da sua cabeça, e alguns estudiosos associam a figura a Viracocha, a divindade criadora da mitologia andina posterior, embora essa ligação seja uma interpretação e não uma certeza rotulada; o povo de Tiwanaku não deixou textos escritos que expliquem a sua própria iconografia, apenas a própria escultura. Quem quer que represente, a figura é o centro visual e, como a maioria dos investigadores concorda, o centro religioso de todo o sítio.

Os assistentes alados

Ladeando a figura do Deus dos Bastões, fileiras de figuras mais pequenas, em posição de corrida ou ajoelhadas, surgem esculpidas de perfil, com asas — algumas com rostos humanos, outras com cabeças de condor, dispostas em filas ordenadas ao longo de ambos os lados do friso. Os investigadores por vezes chamam-lhes chasquis, tomando emprestado um termo inca para mensageiros, embora essa designação seja uma conveniência posterior e não um nome tiwanaku, aplicada por estudiosos que tentam descrever a cena, e não um título que os próprios escultores reconheceriam. As suas posturas repetidas, quase mecânicas, conferem ao friso um ritmo processional, e o seu número exato e agrupamento estão no centro do debate sobre o que a escultura pretendia registar.

O debate sobre o friso do calendário

No início do século XX, o arqueólogo Arthur Posnansky propôs que as 48 figuras laterais codificam um calendário solar ou lunar — por exemplo, agrupamentos que poderiam corresponder a meses e respetivas semanas. A ideia continua popular entre os visitantes por ser cativante e fácil de contar, mas os arqueólogos em atividade hoje tratam-na, em geral, como uma hipótese contestada e não como um facto estabelecido: a contagem varia consoante as figuras que se incluem e a forma como a posição original, não movida, do friso se relacionava com o resto do sítio, e não é claro que o portal tenha sido construído como um instrumento astronómico, em vez de um monumento religioso ou político que, por acaso, usa números repetidos.

Esculpido sem ferramentas de metal

Seja qual for o significado original do friso, ninguém contesta seriamente a perícia envolvida no seu talhe. Os canteiros de Tiwanaku trabalharam andesito — uma pedra vulcânica dura e de grão fino — usando martelos de pedra, areia abrasiva e ferramentas de polimento, em vez de ferro ou bronze, conseguindo um relevo nítido e uniforme em toda a largura do lintel e uma profundidade consistente em todo o desenho. É um lembrete de que o verdadeiro mistério da Porta do Sol não é uma tecnologia perdida ou emprestada; é a organização sustentada de mão de obra especializada e qualificada que um projeto como este deve ter exigido de uma sociedade sem sistema de escrita próprio.

Ver no site

O Portal do Sol ergue-se junto à plataforma de Kalasasaya e é, normalmente, uma das primeiras paragens numa visita guiada ao complexo principal de Tiwanaku. A luz baixa, do início ou do fim do dia, incide obliquamente sobre o friso e realça o relevo raso muito melhor do que o brilho duro e frontal do sol do meio-dia no altiplano aberto — por isso, se o seu horário o permitir, peça ao guia para planear o percurso com isso em mente. A maioria das visitas guiadas combina uma observação atenta do portal com a explicação da plataforma de Kalasasaya, junto à qual ele agora se encontra, de modo que os dois elementos façam sentido em conjunto, em vez de serem tratados como paragens separadas.

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